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Lava Jato encontra indícios de fraude na compra de álcool em gel pela Marinha

Written by on 14/05/2020

Como investigações da Lava Jato no RJ que levaram à Operação Favorito, deflagrada nesta quinta-feira (09), também é permitido comprar com álcool em gel pela Marinha, incluindo medidas contra o uso de coronavírus neste ano.

Alessandro Duarte, um dos detidos na operação, foi flagrado em mensagens interceptadas com autorização da Justiça discutida – com um militar da Força – uma simulação de preços para uma compra emergencial do insumo.

Pela conversa, Alessandro ganhou uma compra.

O juiz Marcelo Bretas determinou que o Ministério Público Federal enviará uma cópia do processo para a Justiça Militar, para apurar a conduta do suspeito de conduzir ilícitas.

Ex-deputado estadual Paulo Melo foi levado nesta quinta-feira (09) para uma Sede da Superintendência de Polícia Federal no Centro do Rio de Janeiro – Foto: Reprodução / TV Globo

Casa onde Paulo Melo foi preso pela Lava Jato nesta quinta-feira ( 09) – Foto: Felipe Basilio / G1

A Lava Jato ofereceu, ao todo, sete pessoas:

  1. Paulo Melo, ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembléia Legislativa do RJ, que já foi preso pela força-tarefa;
  2. Mári o Peixoto, ex-sócio de Paulo Melo e dono de empresas fornecedoras para o governo do RJ e para o governo federal;
  3. Leandro Braga de Sousa, apontado como operador financeiro do esquema;
  4. Alessandro Duarte, também suspeito de ser operador de Peixoto;
  5. Carla dos Santos Braga, que já havia sido presa pela Lava Jato em uma investigação de desvio de dinheiro de lanches para detentos;
  6. Lisle Rachel de Monroe Carvalho, que já foi secretária de Saúde de Teresópolis ;
  7. Luiz Roberto Martins.

Até a última atualização desta reportagem, estava Luciano Leandro Demarchi, que também foi secretário de Teresópolis.

‘Dá para todo mundo morder uma farpela’

Segundo o Ministério Público, chamar a atenção diálogos captados a partir do terminal [telefone] de Alessandro.

O MP declara que uma conversa “demonstra a prática de manobras ilícitas para contratação, com dispensa de licitação, da empresa do grupo de investigação [Alessandro] para fornecimento de álcool em gel para a Marinha do Brasil ”.

Os promotores adicionados que Alessandro “registrou, ao final, uma contratação de empresas, já que uma sequência de conversas indica como tratativas para entrega de material”.

Veja o diálogo, do dia 19 de fevereiro:

Militar: Deixa te falar contigo rapidinho. Você consegue três preços diferentes com três CNPJ?

Alessandro: Consigo! Tem aí o volume que precisa?

Militar: Você vai ver o volume … vai ser um volume grande. Todo quartel. Mas vai ser pior, não precisa fazer licitação. Vai ser com urgência, entendeu?

Alessandro: Todas as informações que precisam.

Militar: Eu sempre faço. Você precisa de três preços diferentes. Eu sou Playmobil! Eu sou várias coisas amigáveis, eu sou multiuso!

Alessandro: risos

Militar: Eu vou fazer contigo.

Alessandro: Pensa nos dois. Bota na mesa.

Militar: Dá para todo mundo morder uma farpela. Você vai mandar um e-mail ou cancelar o zap e vai mandar um email para mim formalizando com três empresas. Eu vou pegar uma empresa mais barata e vou fazer uma compra. Tem nada de mais não.

No dia 16 de março, outro diálogo, agora para combinar a entrega:

Alessandro: Fala, amigão!

Militar: fala . Sua empresa consegue entregar hoje?

Alessandro: Eu acho que sim. Vou ligar. Estou perguntando a eles.

Militar: Até quatro horas.

Alessandro: Deixa eu ver aqui , que são duas e meia. Fica onde?

Militar: Fica na Ilha do governador. Lá no Bananal.

Preso em desdobramento da Operação Lava Jato, empresário Mário Peixoto é levado para a Delegacia de Polícia Federal em Angra dos Reis – Foto: Reprodução

O principal alvo da operação era o empresário Mário Peixoto. Ele foi preso em Angra dos Reis, na Costa Verde.

Mário Peixoto é dono de empresas que entregam mão de obra terceirizada para os governos estaduais – desde a gestão de Sérgio Cabral – e federal.

Na gestão de Wilson Witzel, serviço de limpeza e motoristas para diferentes secretarias.

No governo federal, uma empresa de maquinação e ascensores que atua no Hospital Geral de Bonsucesso.

Um Lava Jato resolveu deflagrar a operação, mesmo durante uma pandemia, porque os indícios de que organização criminosa estava trocando informações sobre o contrato de gerenciamento de campanhas de hospitais sob gestão do governo do RJ.

Os hospitais investigados são: o Maracanã, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Campos e Casimiro de Abreu.

O contrato foi vencido pela organização social Iabas. Os investigadores não descobriram a ligação direta entre Iabas e Mário Peixoto, mas os operadores do empresário foram flagrados trocando e-mails com tabelas de custo de utilização sobre o funcionamento dos hospitais.

Casa de Mário Peixoto em Mombaça, Angra dos Reis – Foto: Reprodução

Lava Jato prende ex-presidente da Alerj e empresário Mário Peixoto no Rio

Lava Jato prende ex-presidente da Alerj e empresário Mário Peixoto no Rio

O que dizem os envolvidos

A defesa do ex-deputado Paulo Melo disse que “a prisão é descabida ”. “Uma decisão mencionada por um ex-deputado com Mário Peixoto, que nunca foi negada”, emite uma nota.

Os advogados sustentam também que ambos não mantêm “qualquer contato nesse período em que Paulo Melo cumpre prisão”.

A Marinha afirmou que está apurando como informações.

Até a última atualização desta reportagem, o G1
não conseguiu contato com Mário Peixoto e outras pessoas citadas na reportagem.

A Secretaria Estadual de Saúde do Rio também não se manifestou.

Em nota, a Organização Social Iabas disse que não tem contrato com empresas mencionadas, nem contato com pessoas citadas.

Ainda não há uma nota sobre o objetivo da operação, mas ele está disponível sobre as autoridades e tem todo o interesse em esclarecer os fatos.

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